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Olá, vestibulando(a) do meu ❤. Estamos de volta para continuar a falar dessa bendita e sensual Arte Contemporânea… Ah, se você não viu a primeira parte desse blog, confira já! hehe Mas falando em sensualidade… Vejam essa produção da já falecida artista Márcia X…

Ela realizou uma performance denominada “Pancake” (2001), que consistia em abrir latas de leite condensado – o leite Moça da marca Nestlé – e derramar o conteúdo sobre a sua própria cabeça. 

“Em pé, dentro de uma bacia de alumínio (80cm de diâmetro), abro uma lata de leite Moça utilizando uma marreta pequena e um ponteiro. Derramo o leite condensado sobre minha cabeça e corpo. Repito a ação com todas as latas. Em seguida abro um pacote de confeitos coloridos colocando o conteúdo numa peneira. Peneiro os confeitos sobre minha cabeça e corpo. Repito a ação com todos os sacos de confeito”, descreve Márcia, acerca de sua obra.

E você? O que pensa a respeito? Leite condensado é Arte ou desperdício de tempo, dinheiro e comida?

Quais caminhos podemos percorrer quando pensamos nas intenções da artista? Tem gente que enxerga sensualidade nessa ação, outras enxergam uma crítica ao atual governo e os gastos com leite condensado… Mas peraí! Isso não foi recente? Pois é… A Arte tem dessas coisas… Uma certa atemporalidade…

Mas independentemente de qualquer coisa, o que vemos aqui é impactante, já que o corpo imerso nessa substância deliciosa provoca um sentimento não tão confortável, até mesmo claustrofóbico. A relação com a obra é uma experiência única! “Pancake” não é um trabalho que requer a participação do público, mas sempre alguém bota o dedo para lamber um pouquinho do leite condensado, estende a mão para pegar confeito ou dá um abraço no final da performance.

E você? O que faria?

Continuando… Vemos que a Arte Contemporânea assume uma infinidade de técnicas e materiais. As obras não são necessariamente um quadro emoldurado na parede ou uma escultura num pedestal, numa base. As produções adquirem infinitas possibilidades e são um convite à experimentação…

Não do leite condensado, bobinho(a)! Mas da obra como um todo! Seja pela identificação com o material (quem imaginaria o potencial artístico do leite condensado?) ou pela situação inusitada em que se encontra o artista, o espectador e a obra. Vale acrescentar que o artista produz a obra e passa a ser obra ao mesmo tempo. Dá para você? É muita informação, mas com a Arte Contemporânea é assim mesmo.

A maioria das pessoas preferiria uma arte mais convencional, fácil de ler e interpretar. Afinal de contas, a “Mona Lisa” é um quadro pequeno, com uma mulher retratada, amarela, parada e sorrindo. Precisa de mais? Tá ótimo! Para quê mais? Esses artistas contemporâneos têm cada armada…

Algumas linhas de raciocínio da Arte Contemporânea

Nós vimos agora pouco uma performance da Márcia X, onde ela é artista e obra ao mesmo tempo, dentro de uma linguagem que envolve elementos das artes plásticas, do teatro, da dança e da música. Uma mescla de estruturas diversas e espontâneas, pois o resultado pode ser variado a cada apresentação. Sem contar a efemeridade da obra, uma vez que ela é passageira, só dura o tempo da exposição/ apresentação, restando da obra a lembrança que temos dela ou as fotos e vídeos. Outro fato interessante é que a produção nasce de um projeto e pode ser executado em qualquer momento da vida ou local diferente.

Falando em local, temos também projetos como as intervenções artísticas, que geralmente envolvem um espaço externo e modificam o cotidiano da cidade e das pessoas. Passamos todos os dias por um lugar e não notamos suas características, entre qualidades e defeitos. Mas é aí que a mágica da arte contemporânea acontece!

Veremos a curiosa obra de Néle Azevedo denominada ‘Monumento Mínimo’.

Monumentos públicos costumam ser grandes, feitos com materiais resistentes para durar praticamente para sempre, como bronze e mármore, e representam figuras históricas e relacionadas ao poder. A artista mineira inverte esse raciocínio com a intervenção urbana.

Com suas miniesculturas feitas com gelo, de 20cm, no formato de uma pessoa sentada. Distribuídas lado a lado em escadas de espaços públicos, com o passar do tempo, elas derretem. A artista homenageia homens comuns em vez de dirigentes e heróis e faz uma metáfora do ‘derretimento’ do homem e das instituições. Também aborda a transitoriedade da vida. No memorial, 300 esculturas serão colocadas em uma escada ao ar livre com a participação do público. Segundo Néle, trinta minutos após a montagem, a obra já deverá ter derretido.

A pesquisa da artista para o desenvolvimento do ‘Monumento Mínimo’ começou em 2001. Foi tese do mestrado em Artes visuais feito por ela no Instituto de Artes da Unesp, na capital. A primeira etapa do trabalho ocorreu até 2004: Néle realizou ações sozinha com uma ou duas miniesculturas colocadas em vários locais de cidades como Tóquio, Havana, Salvador e São Paulo.

Na segunda etapa, as ações tornam-se coletivas. Em 2005, uma intervenção na Praça da Sé somou 290 esculturas. Desde então, a artista já mostrou a obra em cidades do Brasil (como Campinas e Curitiba) e do exterior (como Paris, Florença e Amsterdam). Já usou até mil esculturas em uma ação. Em São Paulo, onde Néle vive, a intervenção foi apresentada também no teatro municipal, em 2005.

Dá pra você? Sensacional, não? Dá até para pensarmos em “modernidade líquida”! Bauman deve estar muito feliz! E você também! Por ter feito tal conexão… Ô coisinha inteligente! O Enem que aguarde…

Temos ainda as instalações artísticas, que é uma forma de arte que utiliza a ampliação de ambientes que são transformados em cenários do tamanho de uma sala, tendo a pintura, a escultura e outros materiais como possibilidades, para que, conjuntamente, ativem o espaço arquitetônico.

A palavra instalação surgiu nos anos 60, quando a Arte, de maneira geral, passava por grandes transformações. Mas anteriormente, artistas já produziam obras que buscavam trabalhar em cima dos ambientes, criando novos cenários e provocando o público a interagir com as obras. Esse é o caso do artista Kurt Schwitters (1887-1948), que, na década de 20, cria composições com objetos que são dispostos em cômodos.

A parada é a seguinte: você entre no museu/galeria e se depara com estruturas que você pode mexer, tocar, morder, lamber, mudar de lugar, ir embora com raiva, voltar e fazer tudo outra vez. Isso parece ser muito doido, mas é porque ficamos mal acostumados com as exposições tradicionais, que chega a ser estranho. Uma obra que pode ser tocada ou retirada de seu local. Mas é aí que mora o fascínio de uma instalação. O papel do espectador não é mais passivo e a sua participação se torna importante, sendo que, em alguns casos, a obra se completa através dessa ação.

Vemos por exemplo a obra Tropicália, uma instalação feita em 1967 pelo artista carioca Hélio Oiticica (1937-1980). Nessa obra, Oiticica constrói um lugar que concentra várias referências do que ele acreditava ser o retrato da brasilidade. Assim, ele cria um percurso labiríntico cheio de biombos, plantas tropicais, areia, pedras, frases escritas e música.

O trabalho é considerado ícone de uma geração, tanto que deu nome ao movimento Tropicália, ocorrido nos anos 70, com expressão principalmente na música.

Os artistas que se utilizam do recurso da instalação, geralmente estão preocupados em criar uma atmosfera diferente e instigar o público em uma apreciação com vários sentidos, não apenas o visual. Além disso, o fato de as obras serem de grandes proporções, torna inviável que sejam colecionáveis, nesse sentido há um questionamento ao mercado da arte.

Viu? Gostou? Se você relaxar um pouco, a Arte Contemporânea pode ser muito instigante… Abra a mente e seja feliz! Até mais!

Autor: Felipe Godoy. Professor/ artista/ terapeuta de alunos(as) traumatizados(as) com a Arte Contemporânea.

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